Alien: Romulus chegou aos cinemas como uma aposta clara de reconexão da franquia com suas origens. Dirigido por Fede Álvarez, o filme se posiciona cronologicamente entre Alien, o Oitavo Passageiro e Aliens, o Resgate, escolha que não é casual. Ao retornar a esse intervalo, a produção busca recuperar o terror espacial mais cru, claustrofóbico e pessimista que marcou o início da saga e a transformou em referência na ficção científica.
A narrativa acompanha um grupo jovem em um ambiente isolado, explorando novamente a ideia de corpos descartáveis diante da lógica implacável das corporações. As críticas ao capitalismo predatório e à exploração humana voltam a ocupar papel central, alinhadas ao espírito original da franquia. Esse resgate tem sido apontado como um dos maiores acertos do filme, especialmente em um contexto atual em que tais temas ganham novas camadas de leitura.
Do ponto de vista técnico, Alien: Romulus se destaca pela construção de atmosfera. A direção aposta no suspense prolongado, no silêncio e na sensação constante de ameaça, mais do que em sustos fáceis. A fotografia escura e o design de produção remetem diretamente ao primeiro filme de 1979, criando uma identidade visual familiar, mas atualizada. A protagonista interpretada por Cailee Spaeny também foi bem recebida, sustentando o filme com uma atuação contida e convincente.
Apesar dos elogios, o longa não escapa de críticas. Uma das mais recorrentes envolve o uso excessivo de referências e homenagens a capítulos anteriores da franquia. Em vez de apenas dialogar com o passado, o roteiro por vezes parece preso a ele, recorrendo a elementos narrativos e visuais que soam como repetição. Essa dependência acaba limitando o impacto do desfecho, que perde força justamente quando o filme tenta amarrar muitas ideias herdadas de produções como Prometheus e Alien: A Ressurreição.
Outro ponto debatido é a utilização do próprio xenomorfo. Embora o suspense funcione, parte do público sentiu falta de uma presença mais marcante da criatura em sua forma adulta, considerada o grande ícone da franquia. Curiosamente, os momentos mais tensos acabam envolvendo os facehuggers, reforçando a sensação de que o terror funciona melhor quando é sugerido, não exibido em excesso.
No balanço geral, Alien: Romulus representa um passo consistente para reerguer a franquia após anos de recepção irregular. Não é uma reinvenção completa, mas um retorno seguro às bases que fizeram Alien sobreviver por décadas. O desafio agora é seguir adiante sem depender tanto do passado, encontrando novos caminhos para que o terror espacial continue relevante e assustador.
Fontes
Rolling Stone Brasil / AdoroCinema / Wikipedia / ComicBook.com / Bloody Disgusting
Por Jackson Santos
ASSISTIR TRAILER DO FILME TRAILER
